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04-May.-2016 08:15 - Actualizado el 04/05/2016 08:58
AveSui 2016

Pesquisadores apresentam como a zootecnia de precisão pode garantir o gerenciamento de todo o sistema de produção de aves e suínos

Já muito difundida nos aviários, a zootecnia de precisão ainda está em fase inicial de aplicação nas granjas suinícolas. Essa tecnologia que interpreta o comportamento dos animais com sensores, câmeras e microfones e ajuda a controlar as condições biométricas do ambiente, permitindo que o criador tome decisões rápidas e precisas, evitando assim perdas nas granjas, foi tema do I Congresso de Zootecnia de Precisão, que abriu os trabalhos da AveSui 2016, nesta terça-feira (03/05), em Florianópolis/SC.

O ineditismo do assunto chamou a atenção dos participantes, que lotaram o auditório, onde pesquisadores brasileiros e estrangeiros se revezaram para falar sobre as principais tecnologias que permitem um planejamento minucioso de toda a criação, as ditas "Fazendas Inteligentes". Uma delas, bastante curiosa, é um sistema computadorizado para captura e análise da tosse dos suínos, apresentada pelo professor da Universidade de KU Leuven, da Bélgica, Dr. Tomas Norton. O método utiliza microfones (específicos para animais) e um software que ajudam os suinocultores a monitorar a tosse em uma determinada cabeça e identificá-la no plantel rapidamente. Esse monitoramento acontece durante as 24 horas do dia e é feito por câmeras, microfones e sensores.

A vantagem em adotar este sistema, explicou Norton, é que, ao analisar o comportamento animal e as suas respostas a cada segundo, o produtor torna-se mais competitivo, atacando antecipadamente o problema, submetendo a tratamento apenas os animais que estão doentes, o que significa reduzir o uso de antibióticos no rebanho. “Há muito trabalho, mas depois que cruzamos todos os dados chegamos a um resultado livre de erros”,  reforçou Tomas.

A ambiência de precisão, que utiliza tecnologias de avaliação e controle ambiental em galpões,  também foi destaque no I Congresso de Zootecnia de Precisão. O assunto, apresentado pela estudiosa do assunto e também coordenadora do painel, dra. Daniella Jorge de Moura, mostrou a importância de adotar soluções que minimizem as mudanças climáticas na produção animal.  A engenheira citou soluções que podem ser utilizadas pelo grande e pequeno produtor avícola - arborização próxima aos aviários para fazer sombreamento,  pintura do telhado de branco para refletir os raios solares, redução da lotação no verão, enterrar os canos de fornecimento de água para que a temperatura não suba demais e outras saídas importantes.

Para o grande produtor, Daniella sugeriu o investimento em isolamento, equipar os aviários com tecnologia de ponta e, o mais importante, que entendam o funcionamento da tecnologia e façam a devida manutenção. Para Daniela, a proposta é tornar o sistema de produção de proteína animal mais eficiente e competitivo. “A ‘fazenda inteligente’ já é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos e está cada vez mais presente no Brasil. Aplicar as diretrizes da zootecnia de precisão na produção animal agrega valor,” recomendou a pesquisadora.

Painel de Biomassa

Enxergar o biogás como um negócio, capaz de associar-se a outras cadeias de resíduo. Esta foi a dica do chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Suinos e Aves, dr. Airton Kuntz, coordenador do painel de Biomassa e Bioenergia, realizado no primeiro dia da AveSui 2016. "Vivemos um novo momento que é de oportunidades para o biogás. Usar por exemplo a lógica de condomínio, como a Itaipu Binacional fez com pequenos produtores, que criaram uma cooperativa de biogás", exemplificou Kuntz.

O painel apresentou diversas experiências - como o das usinas de biogás no Rio Grande do Sul, a tropicalização da tecnologia dos biodigestores de modelo alemão, entre outras - para mostrar às empresas interessadas as oportunidades de gerar e utilizar o biogás. "Esse tipo de energia pode ser utilizado dentro da propriedade rural por meio da geração de energia e aquecimento das granjas - mas isso deve ser avaliado com muito critério, com um acompanhamento técnico profissional. É mais uma oportunidade de negócios para os produtores, desde que obedeçam a padrões mínimos", concluiu.

Redação AI.SI